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sexta-feira, julho 25, 2008

Perdi o viço
Perdi o riso
As folhas caíram, o outono chegou

Os sinos avisaram,
Um vento...
O silencio marcou a mudança do tempo

O corpo molhado
Cheira a salgado
Arde nos olhos
Queima a pele
Cai o pano
Roda
Roda
Roda

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Florbela

Há tempos atrás tive um encontro, que pra mim foi muito forte, com uma (quase) xará minha: Florbela Espanca.
Fazia muito tempo que namorava conhece-la, até que um dia me deixei seduzir e comprei um pocketbook. (Pequeno mas intenso). Hoje ele está todo grifado de acordo com o que sentia ao ler, fui atravessada pelos seus desejos, eu a engoli com toda a sua voracidade de amar!
Desse encontro surgiram alguns poemas, que hoje, reencontrados, não me pareceram tão desprezíveis como senti na época. Deixo aqui alguns deles... reflexos muito pessoais de um encontro lírico.
Estou calada
emudecida pela dor
grito por dentro
e tenho de calar
como quem censura uma inocente criança
que chora por atenção
O que sinto não sei dizer...
dói
incomoda
e mata algo dentro de mim
algo que não tem nome
apenas sentimento
Parece que estava em um mundo de sonho
e que agora estou sendo acordada
pela fria realidade.
Perto de você o dia para,
o sol se põe sereno
e a noite cobre todas as tristezas.
mas diante dos meus incrédulos olhos
vejo o passado
sinto o presente
mas não consigo imaginar o futuro
talvez por que o presente
esteja costurado
com medo
e principalmente com culpa
loucuras foram desejadas
poucas realizadas
entre nos
há muito mais que a distancia física
preciso me livrar dessa dor
mas eu nem sei onde ela começa
so sei onde ela termina
estar perto de você me faz sorrir
mas em mim o vazio
velho companheiro de jornada,
vai novamente preencher
o espaço que todos aqui vão deixar
Você dentro de mim é alimentado de sonhos
e de muitas doses de esperança
essa eu tentei matar
mas com um simples beijo
ela renasceu do fundo da minha alma
e dominou meu corpo
com uma facilidade
que me assustou
me inebriou
me fazendo crer, mesmo que por um instante,
que a vida não é tão injusta
Penso
não penso
fico
vou
quero
desdenho
como ser transparente
se os meus malditos sentimentos
não me permitem só sentir...
turvam a minha alma
e não me deixam fluir
penso
não sonho
vou
não fico
desdenho
mas te quero
Quero?
É triste essa mania de ter que verbalizar
o que a gente sente e sabe
só de respirar
e que quando posto em palavras
sai errado, cru
e banal
Se o dito é verdade
ou não
não me cabe mais julgar, ja que isso eu já fiz quando,
teimando,
pus a razão pra funcionar
essa é outra mania que eu não queria ter
Será que você me ajuda
a me perder?
Magoar faz parte, isso eu já aprendi
deixar de viver por medo...não vale a pena
por isso deixo esses versos, que não são meus
que ajudam a me (des)entender
mas simples o suficiente
pra eu me fazer entender.
pra eu brincar de te falar
coisas que não fazem sentido

[aqui entraria um poema da Florbela que, agora, se perdeu no tempo]

terça-feira, novembro 14, 2006

Algodão doce colorido que se desfaz assim que chega na boca

A perna calça o sapado de nuvens.
Vemos o sapato, imaginamos a perna.
Aperta o dedão? Faz calo no calcanhar?
Corpo (e sapato) levado pelo vento,
o mesmo que leva os cabelos (e os sonhos)
da menina que não sonha.

quarta-feira, março 29, 2006

Paciência do paciente faminto a esperar
Vendo o impossível
Fingindo o sentido
Pacientando a espera
Esperando a paciência
Tempo
Tempo
Tempo, invisível mas pesado
Acumulado

quarta-feira, março 08, 2006

Fragmentos

Te leio, releio e te devoro.
Sofro,
mas ao menos sinto.

Pego os cacos,
junto os vidros
faço eles ficarem incandescentes

Do líquido dos cacos
reconstruo o jarro
aquele que guarda muito sonhos e desejos, os nossos.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Paredes em branco

O quarto está escuro, na parede os reflexos das árvores iluminados pela lua, redonda e branca, se movem sem explicar o motivo, o vento não sopra. É, na verdade, uma daquelas noites de verão abafadas do nordeste. Quando se adormece o ar está pesado e úmido, mas quando se acorda tudo parece ter sido abençoado com uma fina camada de chuva, que ninguem viu cair, que ninguem ouviu chorar.
Menos ela, nos sonhos daquela garotinha tempestades urgem alimentadas por aqueles (assustadores) reflexos na parede branca. O lençol roçava na pele causando estranhamento a cada toque. Olho aberto ou fechado, nenhuma diferença fazia, a chuva, que tanto assustava e era tão desejada, estava ocorrendo dentro da pele da pequena garota. Apavorada, emudecida se convencia que os monstros do escuro, agora iluminados pela lua, nada podiam fazer contra ela e contra ninguem.
O calor aumentava junto com o desespero, o vento começava a soprar trazendo o cheiro do mar, cheiro salgado e azul. Enebriada pelo olfato e entregue à exaustão a garota adormece. E de dentro dela surge a tempestade que molha as plantas, a grama, o travesseiro. Aliviada ela sonha, aliviada ela vive mais um dia.
E o mundo acorda banhado em uma fina camada de chuva.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Associação livre ao som de um violão

cavalo, carinho, caminho, andar, vagar, por ai, chorar, sofrer, rir,........., danúbio, azul, colorido, qualquer cor, P&B, foto, momento, estático, vibração, dança, calor, ferver, o corpo urge, sonho, teatro, encenação, caminho, sol, noite, preto, escuro, acolhedor, sonhador, amado, fogo, chama, vermelho, casaco, sobretudo, nada, nu, guarda-chuva, guarda-sol, olhos, cílios, corpos, pintados, colados, cores, vermelho, corpo pintado, mão, palma, beijo, brincadeira, caminho, seguir, continuar, sempre.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Devaneios

Sigo sempre distraída
descontorno
Tento tocar
se esvai
(GRITO)
o que é isso que me persegue
que não tem cheiro, não tem cor
corro
corr
cor
não há mais nada
(...)
só isso que sinto