quarta-feira, junho 15, 2005

Eulália

Ela ria, ria com a idéia, absurda e inusitada, de poder se casar ou apenas encontrar um novo companheiro apos a morte de seu marido. Ouvia aquelas palavras com um certo prazer disfarçado entre as interjeições de 'fala isso não menina' ou 'que coisa feia'. Na medida que a conversa continuava e o ônibus ia passando de ponto em ponto, ela contava mais da sua vida. Falava do seu ótimo marido - nenhum homem que vi até hoje era tão lindo e bom como ele - contava como no fim da vida o dividia com a bebida e com outra mulher.
Mudando a postura, mais ainda dando gostosas risadas, ela continuava a argumentar - quem vai querer alguém tão briguenta como eu? - rindo ainda mais com a possibilidade de encontrar outro velho rabugento, tanto quanto ela, um que não queira janta posta todo dia, casa arrumada por ela. Risadas pela e da possibilidade de encontrar um companheiro.
Seus dedos cansados do trabalho duro já não conseguem mais tocar o seu clarinete tão bem quanto antes, mas agora, pelo menos, brancos e negros se misturam, diferente de Amparo quando ela era uma mocinha formosa com quem, nos bailes, ninguém queria dançar.

3 comentários:

Anônimo disse...

???

Flor disse...

Qual parte vc não entendeu??????

Anônimo disse...

Eu já falei, mas estava (re)lendo este texto e não resisti, resolvi deixar um comentário. Além de bonito, está muito bem construído. Enfim, vida e literatura se confundem mesmo, não é?
Um beijo.