Tem sempre aquele primeiro bolo, o bolo mais gostoso que você já comeu e que vai se tornar o seu preferido muito em breve. O prazer gerado por daquele primeiro pedaço do primeiro bolo nunca vai se comparar com nenhum outro comido posteriormente. Ele sempre vai ser ‘o’ mais saboroso, não terá aquele sutil, mas existente, desequilíbrio dos ingredientes como todos os bolos posteriores parecerão ter. Cada bolo será feito na esperança de se saborear outro igual aquele primeiro. Não se tem à pretensão de que ele fique melhor, basta estar igual ao primeiro.
Isso me parece uma investida culinária fadada à infelicidade.
Lembro quando li no Amor nos Tempos do Cólera uma passagem que me chamou muita atenção, ela dizia que o tempo engana os sentidos fazendo o passado pareça muito melhor do que ele foi. Quando comentei isso pela primeira vez me disseram – Que bom que você sabe disso – pois é, um risco de estar sempre a procura de um ideal que, é sabido, nunca será atingido.
Essa inconformidade com o presente faz aflorar uma conformidade com o passado, uma espécie de reformismo, um conservadorismo cego. Não se busca a construção de algo diferente, de novas possibilidades.
Gostoso é quando se volta o inconformismo com o presente para a criação de algo novo, com gosto diferente, mas ainda assim bom, no futuro. Reinventar os bolos, isso sim é a arte culinária.
Há 7 anos
4 comentários:
Ei, dá um pedacinho de bolo?
O Marquito sabe uma história ótima sobre um rei que queria comer novamente um pedaço de bolo... queria poder contar mas não seria tão bonito. Conta aí Marquito!
É.. depende dos ingredientes "especiais" do bolo.. hehehe
atualiza esse troço.
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