O tempo passa rápido, o mês de abril foi sombrio, o mês de maio foi rápido.
Ontem fui pega de surpresa com a morte de uma pessoa muito importante, que era uma pessoa muito forte, que infelizmente não pude conhecer tão bem. Apenas as boas historias, engraçadas, trágicas......fazia muito tempo que não ia em um velório (se é que eu já fui em um algum dia). Pensando bem, não, nunca havia ido a um velório. Enterros, missas de 7º dia, de 30º dias.....mas velórios não.
Por uma lógica simples, eu nunca havia visto um corpo, um morto. Lembrei de quando a minha mãe contava como minha vó obrigava ela e os meus tios a irem todos os velórios desde que eram muito pequenos e, mesmo que eles ficassem aos prantos, tinham de ir olhar o morto, estendido no caixão cheio de flores. Ela dizia que tinham que aprender que a vida era daquele forma e que a morte era assim.
Bem lá estava eu, envolta de pessoas chorando e coroas de flores por todos os lados....me aproximei do caixão...e vi aquelas mãos, amarelas e inchadas, com as pontas dos dedos demonstrando que a muito tempo o sangue não circulava naquele corpo.
Foi mais tranquilo do que eu achei...algo me diz que todos os filmes de morto-vivo que eu já vi ajudaram a naturalizar um corpo morto....que na verdade nada mais é que um corpo morto.
Mas a verdade é que depois das horas que eu passei por lá não consegui voltar as minhas obrigações como se nada tivesse acontecido...fiquei aérea....fiquei na inércia....
Há 7 anos
2 comentários:
Mas foi um abraço muito bom, sólido, terrestre...
Eu já fui a vários interros mas mesmo assim sempre saio aérea. É muito estranho ver um corpo sem vida e perceber nossa fragilidade, a sutileza que nos faz respirar, vibrar...
Postar um comentário