Eu não acreditava em amor, paixão, desejo ou seja lá como vc quiser chamar a primeira vista. Mas um dia eu estava entrando em um bar, a noite, na praia. Varias pessoas aglomeradas na porta, fazendo hora pra entrar ou pra ir embora. No caso dele a segunda opção.
Aquele menino, com uma latinha na mão. Os olhos se cruzaram e permaneceram, os pescoços se esticaram pra fazer durar mais um pouquinho.....só mais um pouquinho. Foi muito intenso para os dois.
Não sabia quem ele era, não sabia quem eu era. Aqui em São Paulo provavelmente nunca mais nos veríamos, mas João Pessoa é uma cidade que promove encontros repetidos, repetidos encontros...
Eu novinha, uma criança, ele não tão novo assim. Muitas coisas entre aquele dia e o primeiro beijo em pleno bloco de carnaval. Muitas coisas entre aquele beijo e todo os desencontros que se seguiram.
Alguns carnavais de encontros e desencontros e encontros passaram. Uma raiva proporcional ao encanto do primeiro olhar apareceu na mesma intensidade e permaneceu por um bom tempo. Mal entendidos, mais olhares cruzados e o silencio.
Esse deve ter sido o maior desencontro que já tive. Ficou realmente marcado em mim a forma fulminante em que fui tomada naquela noite.
O mais impressionante é que isso faz 10 anos. Incrível como o tempo passa. Incrível como eu era nova. Lembro hoje com muito carinho disso tudo e muito feliz que, mesmo que 10 anos depois, o silencio se quebrou.
Muito legal encontrar pessoas que eu considerava perdidas no meu passado, são tantas....mais legal ainda saber que elas ainda guardam cartas e lembranças minhas tb.
...
MINHA CASA
é mais fácil cultuar os mortos que os vivos
Aquele menino, com uma latinha na mão. Os olhos se cruzaram e permaneceram, os pescoços se esticaram pra fazer durar mais um pouquinho.....só mais um pouquinho. Foi muito intenso para os dois.
Não sabia quem ele era, não sabia quem eu era. Aqui em São Paulo provavelmente nunca mais nos veríamos, mas João Pessoa é uma cidade que promove encontros repetidos, repetidos encontros...
Eu novinha, uma criança, ele não tão novo assim. Muitas coisas entre aquele dia e o primeiro beijo em pleno bloco de carnaval. Muitas coisas entre aquele beijo e todo os desencontros que se seguiram.
Alguns carnavais de encontros e desencontros e encontros passaram. Uma raiva proporcional ao encanto do primeiro olhar apareceu na mesma intensidade e permaneceu por um bom tempo. Mal entendidos, mais olhares cruzados e o silencio.
Esse deve ter sido o maior desencontro que já tive. Ficou realmente marcado em mim a forma fulminante em que fui tomada naquela noite.
O mais impressionante é que isso faz 10 anos. Incrível como o tempo passa. Incrível como eu era nova. Lembro hoje com muito carinho disso tudo e muito feliz que, mesmo que 10 anos depois, o silencio se quebrou.
Muito legal encontrar pessoas que eu considerava perdidas no meu passado, são tantas....mais legal ainda saber que elas ainda guardam cartas e lembranças minhas tb.
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MINHA CASA
é mais fácil cultuar os mortos que os vivos
mais fácil viver de sombras que de sóis
é mais fácil mimeografar o passado
que imprimir o futuro
não quero ser triste
como o poeta que envelhece
lendo maiakóvski na loja de conveniência
não quero ser alegre
como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
sob o sol de domingo
nem quero ser estanque
como quem constrói estradas e não anda
quero no escuro
como um cego tatear estrelas distraídas
amoras silvestres no passeio público
amores secretos debaixo dos guarda-chuvas
tempestades que não param
pára-raios quem não tem
mesmo que não venha o trem não posso parar
vejo o mundo passar como passa
uma escola de samba que atravessa
pergunto onde estão teus tamborins
pergunto onde estão teus tamborins
sentado na porta de minha casa
a minha mesma e única casa
a casa em que eu
sempre morei
Zeca Baleiro
é mais fácil mimeografar o passado
que imprimir o futuro
não quero ser triste
como o poeta que envelhece
lendo maiakóvski na loja de conveniência
não quero ser alegre
como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
sob o sol de domingo
nem quero ser estanque
como quem constrói estradas e não anda
quero no escuro
como um cego tatear estrelas distraídas
amoras silvestres no passeio público
amores secretos debaixo dos guarda-chuvas
tempestades que não param
pára-raios quem não tem
mesmo que não venha o trem não posso parar
vejo o mundo passar como passa
uma escola de samba que atravessa
pergunto onde estão teus tamborins
pergunto onde estão teus tamborins
sentado na porta de minha casa
a minha mesma e única casa
a casa em que eu
sempre morei
Zeca Baleiro
7 comentários:
Essa casa onde vc sempre morou... lhe é confortável?
E que casa é essa onde eu sempre morei? Me será confortável um dia? Que paredes mais vou arranhar em raiva e desassossego... tinha paredes? Um dia vou pintá-las da cor que eu desejo? Um dia vou descobrir que cor é essa? Deixa pra lá, não preciso esmiuçar a tudo em pânico a todo o tempo. Melhor mimiografar o passado do que digitalizá-lo.
muito pertubador o seu comentario.....
mas isso é bom....
faço minhas as suas perguntas......
faço do silencio as minhas respostas....
Ai, ai,... :)
caraio luana ,vc faz idéia de como eu ia te pentelhar, perseguir, atormentar, aterrorizar e insistir insessantemente sobre esse tema se eu tivesse lido a um tempo atrás? hauhauhauhauhau.... ...mas que fiquei curioso, fiquei...
ah, essa linguagem cifrada de pré-psicólogos poetando é cafona pacas, pra não perder o costume.
beijo!
memórias saum mto gostosas, naum? axo q msm das situações difíceis... ou mal resolvidas... guardam sempre um toque de carinho.
espero q as lembranças de agora sejam ainda melhores... um beijo=)
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