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segunda-feira, julho 10, 2006

Para lembrar o tempo em que eu achava que podia mudar alguma coisa no mundo...


desenho por Lili

segunda-feira, novembro 07, 2005

Cheiro de Veludo

Quando morei aqui da outra vez era pequena de tudo, mas comecei um caso de amor com essa cidade. Fui embora, um hiato de 6 anos, mas sempre aquela voz gasguita pedia repetidamente a mãe para voltar.
Nesses seis anos estive por essas bandas duas vezes, já bem perto de voltar a morar aqui, me chamava a atenção o cheiro dessa cidade. Um cheiro aveludado, que com toda a saudade nem parecia poluição.
Aquele frio, aquela secura úmida de neblina. As pessoas na rua pareciam tão diferentes, em uma sintonia bem distinta da minha, ou da que eu estava acostumada. Aquela cidade onde fui feliz. Aquele cheiro de felicidade e novidade. Cheiro de retorno.
O meu primeiro mês aqui foi repleto desse cheiro, me sentia a beira de um futuro novo, um momento de recomeço. Um cheiro de expectativa e saudade, agora de João e suas Pessoas. Um mês sem muito contato com os paulista, me restava apenas a cidade. Seus cinemas, seu cheiro de chuva sempre as seis da tarde.
Onde iria estudar, onde iria trabalhar... ai aquele cheiro de veludo dos primeiros dias na escola...
O tempo foi passando, cada dia aquele cheiro ia me impregnando, ate que passei a fazer parte dele e não mais senti-lo.
As padarias daqui não tem mais aquele cheiro de café com sonho especial, agora as ruas e suas pessoas são só uma rua com pessoas, as vezes encasacadas, as vezes se escondendo atrás de um guarda chuva e o veludo se tornou uma poluição avermelhada quando ainda imagino senti-lo...

quinta-feira, setembro 22, 2005

Retratos de um casamento (ou alguns conceitos pre-formados)

O Padre. Obrigando todos a sentirem culpa e o pior, a pedirem desculpa. Apesar disso existiram momentos de sensatez em seu discurso.

A Tiazona com a sua miniatura, em outras palavras, a sua filha. Alvoroçada com o casamento do irmão. Sendo prestativa, correndo de um lado para outro, atrapalhando mais do que ajudando. Corre no meio do altar para arrumar a calda (ou rabo) da noiva, deixando-o mais embolado do que estava. Aquele corpalhão enorme e desengonçado transbordando uma mistura de orgulho com inveja. Depois, na fofocas da recepção, soube que ela era muito legal e dizem as más línguas Feliz.

O Padrinho da marinha e sua noiva topetuda em verde abacate. Exercito, sisudo. Mas na hora da dança, quebrando com o meu (pre)conceito, ele mais parecia um componente do Village People se divertindo muito e sendo muito divertido. Carinhoso com a esposa, que continuava topetuda.

A Mãe da noiva. Rezam as historias retratando ela como a grande bruxa. Sufocante e ditadora. No altar quase não abraça a filha, diferente do pai que, em uma cadeira de rodas, se debulhava em lagrimas.

A Ex-estagiaria. Ficava dizendo a quem quisesse ouvir como agora estava adorando o trabalho. Aprendendo quem deve ser passado na frente de quem, quem é mais importante que quem, o que esconder de quem e o que dizer pras pessoas certas. Pra piorar ainda diz que isso é um ótimo conhecimento "não só pra dentro da empresa, mas pra vida, sabe?"

A menininha. Sozinha sem muitos amigos. Amiga sempre dos amigos da mãe. Que é bem jovem. As outras crianças pareciam estar todas em volta da tiazona em miniatura, que dominava a todos (e ao buquê também, quando ele foi arremessado) e não parecia nem um pouco interessada em tela por perto. No fim acabou dançando Rock`n roll comigo, que acidamente observava a tudo com uma acidez um tanto forçada.

. . .

Lembrei que quando era pequena queria que a minha mãe casasse, e que o vestido fosse preto ou vermelho... de preferência preto.
Tirando a parte religiosa da coisa, casamentos são momentos muito interessantes. Legal marcar de forma especial esse momento. Em pouco mais de um ano esse foi o terceiro casamento que fui. O que mais gosto neles são justo aquelas coisas que diferenciam um do outro, aquela marca especial de cada um, o que faz aquela comemoração ser de um casal e não de outro.

terça-feira, setembro 13, 2005

Teatro

Tenho ido bem mais ao teatro. Mas voltar a fazer parece bem mais longe. Sinto tanta falta. Lembro bem da minha primeira apresentação de teatro de rua (talvez tenha sido a única). Era pequena, mas adorava tudo aquilo. Nem lembro mais do enredo. Lembro que tinha um rei, lembro que eu tinha algumas falas. E muitas cores... lembro especialmente do azul... Apesar de marcante, essa não foi a minha primeira peça. A primeira eu era menor ainda. Fazia, pasmem, a nossa senhora. Era uma reprodução de um presépio, mas todo moderninho. Os reis magos eram PC Farias, Collor e Sei-lá-quem e eles vinham tentar extorquir dinheiro, era uma peça metida a critica. Isso era até legal... O inicio da peça eram os atores se arrumando, costurando o figurino, maquiando uns aos outros. Lembro de decorar bem as falas, lembro de ajudar o José nas falas sempre esquecidas dele. Saudade do palco, saudade de se deixar ser outra pessoas, de experimentar outras sensações. Mas acho um saco esse meio de atores, não tenho paciência pra ele, perdi a muito tempo atrás. Sempre pessoas com o ego inflado, pessoas se sentindo muito especiais. Desejosas de uma fama pela fama. Libertinas apenas por status. Drogadas apenas pela magia. O vestibular acabou matando a minha experiência mais legal em teatro. Um grupo autogestionario. Tínhamos quase pronta uma peça, eram na verdade varias esquetes que, de alguma forma, se interligavam. Sem falas, tudo era dito em um idioma desconhecido. Saudades daqueles sábados...

terça-feira, agosto 30, 2005

Cartas...de papel, de amor, de saudade...

Fazia tempo que não escrevia uma carta e ela chegava no seu destinatário.
Adoro escrever cartas, o papel, a letra escrita, manuscrita, a textura... adoro cartas.
Quando cheguei aqui em são paulo escrevia umas 10 cartas por mês, ai fui parando...cada vez enviando menos cartas. Tenho varias escritas e nunca enviadas. No fim...cartas pra mim mesma.
Muito legal deixar registrado, fisicamente, o que se sente.... demonstrar no tremor da letra, no erro da palavra, na rasura da frase a vibração de um momento.

E-mail... facilitam, mas são infinitamente menos marcantes que as cartas....

sexta-feira, agosto 12, 2005

Causo da Paraiba

Dançar é tão bom. Faz bem pra alma, faz bem pro corpo (isso se forem coisas diferentes). Faz bem pro todo. Sempre senti falta das danças a dois. Lembrei agora de um causo da Paraíba, causo da minha vida, causo onde a dança esta no fundo dando um colorido diferente.

Tínhamos os bailinhos, sempre aquela tensão. Lembro do fim da minha quarta serie. Passei dois anos me achando meio deslocada. Sempre escolhida pra ser a principal nas apresentações da escola, o que compensava a minha nulidade nos esportes. Tinha muitos amigos, mas achava (e ficava um pouco triste com isso) que nenhum garoto se interessava por mim.
Eu tinha um amor platônico no ônibus escolar, amor regado a absolutamente nada, talvez a olhares, já que nunca troquei sequer uma palavra com o objeto da minha afeição.
Na escola era um bom cupido. Ajudava amigos a se aproximarem de amigas e até mesmo a namorarem, o que, naquela época, consistia em passar junto o recreio, empurrar o balanço do outro, andar de mão dadas. Eu queria aquilo, pelo desconhecido, pelo novo.
Mas seguia me sentindo um patinho feio. Até que tive o meu primeiro bailinho que era realmente meu. Meus amigos. Pessoas da minha idade. Ele tinha um valor duplo: era a despedida da turma de quarta serie e era a minha despedida de Campina Grande, que em uma semana não seria mais a cidade da minha residência.
Dança vai. Dança vem. Um Bilhete. Uma dança. Uma despedida no jardim. A percepção de que a cegueira que tive por anos continua, talvez um pouco mais calejada, comigo até hoje.
Bem, o primeiro foi aquele que menos importava, um bilhete, uma declaração.
O segundo foi aquele que em uma dança abriu seu coração, se mostrou anarquista mas pra ele eu disse não.
O terceiro, no jardim, era aquele mais companheiro, pena que ele demorou, disse sim e fui embora.

domingo, maio 29, 2005

Uma Mimeografia do Passado

Eu não acreditava em amor, paixão, desejo ou seja lá como vc quiser chamar a primeira vista. Mas um dia eu estava entrando em um bar, a noite, na praia. Varias pessoas aglomeradas na porta, fazendo hora pra entrar ou pra ir embora. No caso dele a segunda opção.
Aquele menino, com uma latinha na mão. Os olhos se cruzaram e permaneceram, os pescoços se esticaram pra fazer durar mais um pouquinho.....só mais um pouquinho. Foi muito intenso para os dois.
Não sabia quem ele era, não sabia quem eu era. Aqui em São Paulo provavelmente nunca mais nos veríamos, mas João Pessoa é uma cidade que promove encontros repetidos, repetidos encontros...
Eu novinha, uma criança, ele não tão novo assim. Muitas coisas entre aquele dia e o primeiro beijo em pleno bloco de carnaval. Muitas coisas entre aquele beijo e todo os desencontros que se seguiram.
Alguns carnavais de encontros e desencontros e encontros passaram. Uma raiva proporcional ao encanto do primeiro olhar apareceu na mesma intensidade e permaneceu por um bom tempo. Mal entendidos, mais olhares cruzados e o silencio.
Esse deve ter sido o maior desencontro que já tive. Ficou realmente marcado em mim a forma fulminante em que fui tomada naquela noite.
O mais impressionante é que isso faz 10 anos. Incrível como o tempo passa. Incrível como eu era nova. Lembro hoje com muito carinho disso tudo e muito feliz que, mesmo que 10 anos depois, o silencio se quebrou.
Muito legal encontrar pessoas que eu considerava perdidas no meu passado, são tantas....mais legal ainda saber que elas ainda guardam cartas e lembranças minhas tb.

...
MINHA CASA

é mais fácil cultuar os mortos que os vivos
mais fácil viver de sombras que de sóis
é mais fácil mimeografar o passado
que imprimir o futuro

não quero ser triste
como o poeta que envelhece
lendo maiakóvski na loja de conveniência

não quero ser alegre
como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
sob o sol de domingo

nem quero ser estanque
como quem constrói estradas e não anda

quero no escuro
como um cego tatear estrelas distraídas

amoras silvestres no passeio público
amores secretos debaixo dos guarda-chuvas
tempestades que não param
pára-raios quem não tem
mesmo que não venha o trem não posso parar


vejo o mundo passar como passa
uma escola de samba que atravessa
pergunto onde estão teus tamborins
pergunto onde estão teus tamborins
sentado na porta de minha casa
a minha mesma e única casa
a casa em que eu
sempre morei

Zeca Baleiro

terça-feira, maio 03, 2005

Na bagunça da minha escrivaninha

Minha escrivaninha está uma bagunça, procurando um livro da biblioteca que eu perdi, eu achei uns negativos de fotos que uma amiga me emprestou a mais de 6 anos de fotos de mais de 8 anos atrás. Não lembrava deles, não faço a menor idéia de como eles foram parar lá. Mas sei que nunca tinha feito copia daquelas fotos. Eram fotos do meu ultimo dia na escola que estudei por 4 anos (pra mim isso é uma eternidade) em João Pessoa. Todos, nas fotos, estavam rindo muito, se despedindo. Alguns continuaram por lá, outros, como eu, mudaram de cidade logo depois. Lembro que apos a formalidade da formatura os meninos me pegaram e tentaram me jogar na piscina da escola. Como isso foi inviabilizado por um portão com um grande cadeado, fui levada ao vestiário masculino e me deram um banho lá mesmo. Vejo na foto a roupa toda molhada, todos sentados na frente da escola aproveitando aquele dia, aquele ultimo dia. Minha mãe olhando as fotos disse: "foi uma boa época, ne?" Pois é, foi uma época muito boa...... Tenho lembrado muito do meu passado, das coisas que já fiz, pessoas que já conheci, lugares que morei, pessoas que esqueci, pessoas que me esqueceram.....o meu passado parece está me perseguindo tb. Alem das fotos, eu fui achada por varias pessoas que fizeram parte da minha vida nessa época em que eu morava em João Pessoa, dos 11 aos 14 anos. Graças ao Orkut, essa realmente é a única utilidade real dessa geringonça. Muito legal ver o que estão fazendo, do que gostam, uns gostam de rock, outros se formaram, outros estão estudando, alguns não moram mais por lá que nem eu. Tem pessoas que eu achei que nunca mais iria encontrar em toda a minha vida, pessoas que achei que não se lembrariam mais de mim, pessoas que foram importantes, que um dia me fizeram sentir um frio na barriga, que estiveram presentes em momentos muito legais. Sempre mudei muito e sempre fui deixando um rasto de bons amigos pra tras, reencontrar essas pessoas quer dizer muito pra mim...ainda tenho esperança de achar a Karina bonassoli (ou seja lá como se escreve) que foi minha grande amiga quando morei aqui em são paulo da outra vez.....bem, mas eu só tinha 8 anos.....

quinta-feira, abril 28, 2005

Estou sempre sendo assaltada

Não sou muito ligada a musica, nunca fui, não escuto muito e muito raramente vou atrás das coisas que gosto, e hoje em dia se me perguntarem "que tipo de musica vc gosta?" eu tenho que inventar alguma coisa ou ficar com aquela cara de "vc fez a pergunta errada", não sei mais essa resposta. Não é por que eu gosto de tudo um pouco, mas por que eu não gosto de nada muito!
Mas eu posso voltar a vários pedaços da minha vida através de musicas, não necessariamente pelas letras, mas por todas as sensações que elas me trazem, um pacote completo!
Posso ouvir aquela musica de quando gostava daquele carinha e tudo se resolveria com ele simplesmente pegando na minha mão, escuto e parece que estou lá, nos meus 12 anos de novo.....se fechar os olhos até esqueço do agora.
Tem musicas que me lembram de como eu via o mundo na época que eu as ouvia, todos os meus sonhos, as minha esperanças (ou desesperanças), dá uma saudade às vezes...mas não dá vontade de voltar, não mais.
Me lembro ouvindo CRASS na casa da Maira, as duas descobrindo um mundo de formas diferentes de pensar e de ser, com aquela euforia de se sentir encontrando algo novo e importante, algo que depois que se descobre fica tão obvio.O problema é que da mesma forma que tenho flashbacks bons, tenho os ruins....tem lembranças que estragaram musicas muito boas, uma maldição.....eu não consigo ouvi-las sem ficar mal e o pior é que não a sensação não acaba junto com a musica nesses casos, demora sempre um pouco mais......queria ter essas musicas de volta! Elas me foram roubadas por esses momentos..