sexta-feira, agosto 12, 2005

Causo da Paraiba

Dançar é tão bom. Faz bem pra alma, faz bem pro corpo (isso se forem coisas diferentes). Faz bem pro todo. Sempre senti falta das danças a dois. Lembrei agora de um causo da Paraíba, causo da minha vida, causo onde a dança esta no fundo dando um colorido diferente.

Tínhamos os bailinhos, sempre aquela tensão. Lembro do fim da minha quarta serie. Passei dois anos me achando meio deslocada. Sempre escolhida pra ser a principal nas apresentações da escola, o que compensava a minha nulidade nos esportes. Tinha muitos amigos, mas achava (e ficava um pouco triste com isso) que nenhum garoto se interessava por mim.
Eu tinha um amor platônico no ônibus escolar, amor regado a absolutamente nada, talvez a olhares, já que nunca troquei sequer uma palavra com o objeto da minha afeição.
Na escola era um bom cupido. Ajudava amigos a se aproximarem de amigas e até mesmo a namorarem, o que, naquela época, consistia em passar junto o recreio, empurrar o balanço do outro, andar de mão dadas. Eu queria aquilo, pelo desconhecido, pelo novo.
Mas seguia me sentindo um patinho feio. Até que tive o meu primeiro bailinho que era realmente meu. Meus amigos. Pessoas da minha idade. Ele tinha um valor duplo: era a despedida da turma de quarta serie e era a minha despedida de Campina Grande, que em uma semana não seria mais a cidade da minha residência.
Dança vai. Dança vem. Um Bilhete. Uma dança. Uma despedida no jardim. A percepção de que a cegueira que tive por anos continua, talvez um pouco mais calejada, comigo até hoje.
Bem, o primeiro foi aquele que menos importava, um bilhete, uma declaração.
O segundo foi aquele que em uma dança abriu seu coração, se mostrou anarquista mas pra ele eu disse não.
O terceiro, no jardim, era aquele mais companheiro, pena que ele demorou, disse sim e fui embora.

Um comentário:

Anônimo disse...

O terceiro bem que podia se instalar feito um poceiro dentro do seu coração. Vai ver, até se instalou.