Quando morei aqui da outra vez era pequena de tudo, mas comecei um caso de amor com essa cidade. Fui embora, um hiato de 6 anos, mas sempre aquela voz gasguita pedia repetidamente a mãe para voltar.
Nesses seis anos estive por essas bandas duas vezes, já bem perto de voltar a morar aqui, me chamava a atenção o cheiro dessa cidade. Um cheiro aveludado, que com toda a saudade nem parecia poluição.
Aquele frio, aquela secura úmida de neblina. As pessoas na rua pareciam tão diferentes, em uma sintonia bem distinta da minha, ou da que eu estava acostumada. Aquela cidade onde fui feliz. Aquele cheiro de felicidade e novidade. Cheiro de retorno.
O meu primeiro mês aqui foi repleto desse cheiro, me sentia a beira de um futuro novo, um momento de recomeço. Um cheiro de expectativa e saudade, agora de João e suas Pessoas. Um mês sem muito contato com os paulista, me restava apenas a cidade. Seus cinemas, seu cheiro de chuva sempre as seis da tarde.
Onde iria estudar, onde iria trabalhar... ai aquele cheiro de veludo dos primeiros dias na escola...
O tempo foi passando, cada dia aquele cheiro ia me impregnando, ate que passei a fazer parte dele e não mais senti-lo.
As padarias daqui não tem mais aquele cheiro de café com sonho especial, agora as ruas e suas pessoas são só uma rua com pessoas, as vezes encasacadas, as vezes se escondendo atrás de um guarda chuva e o veludo se tornou uma poluição avermelhada quando ainda imagino senti-lo...
Há 7 anos
5 comentários:
Oie!!
amiga, não sou mais finada, vai me visitar?
www.olhonalma.blogspot.com
bjão
O cheiro de poluição, a mim ele sempre atordoou, sentia enjôos no começo (aos sete anos), mas sempre resisti e nunca me entreguei mandando meu café da manhã pra fora (talvez essa resistência deva-me provocar alguma outra reflexão... depois). Por outro lado, algo que sempre noto quando viajo pra cima e pra baixo é uma diferença de coloração. As cores aqui são sempre mais veludo, mais nubladas, mas enevoadas, mais branca, mais fosca... do estado do Rio pra cima o sol parece que bate diferente, é uma luz mais amarelada...
Uma brincadeira em associação livre: No filme Veludo Azul, o protagonista também tem uma relação sensível com o veludo, ligada ao cheiro (ele o cheira constantemente)... mas certamente a situação é bem diferente do contexto que você descreveu agora.
Tem muita poluição vermelha ao seu redor... Anda te dando até alergia
O céu, vermelho à noite. Tô ligado. E tem também um frio que era mais limpo antigamente. Esse frio ainda existe na Serra da Cantareira, eu acho, e em Mairiporã, onde há fábricas daquela pipoca doce que vem num saquinho cor-de-rosa/vermelho transparente. Mas os olhos da criança eram o que havia de mais fabuloso... sem eles pipoca, veludo, céu vermelho, vira tudo penduricalho da 25 de março.
Muito legal esse seu escrito!
Fiquei com vontade de ver o veludo azul, nunca vi inteiro.... tambem acho as cores daqui diferentes a diferença é que me sinto atraida por elas.... ihh o frio daqui, seco mesmo, não é mais igual ao que aqueles olhos de crinça enxergavam... adorava aquela pipoca, mas por icrivel que pareça ela me lembra a Paraiba...
A minha alergia é algo que me persegue seja aqui, seja no ar mais limpo da chapada diamantina, não importa que cores uso...
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